segunda-feira, 30 de abril de 2007

Mais coisas

... simples que eu nunca fiz

Comer amendoim salgado.
Dormir no cinema.
Beijar na chuva.
Comer vatapá.
Chamar a atenção de um filho.
Voar de balão.
Tocar violão direito.
Patinar sem cair.
Surfar (de pé).
Ir trabalhar direto depois da balada.
Beber até vomitar.
Ter ressaca de vodka, mesmo tendo bebido muita.
Dar um fora e ficar bem.
Guiar um cego na rua (alguém sempre faz isso antes).
Me divertir num teleférico.
Trocar alianças (de ouro).
Esquecer afetos.
Acreditar em Papai Noel.
Dizer: "Volta".
Chorar no reencontro.

Coisas simples que já fiz

Comer chocolate antes da janta.
Chorar no cinema.
Passar dias trancada em casa. Com uma mesma pessoa.
Comer acarajé.
Ninar um nenê.
Cantar no chuveiro.
Faltar na academia, por preguiça.
Andar de bicicleta.
Querer ficar longe de todo mundo, por um tempo.
Levantar depois de um tombo.
Dormir sem roupa.
Passar mal com cerveja.
Chorar de saudade.
Engasgar com bala.
Engolir chiclete.
Ir ao zoológico.
Distribuir ovos de páscoa em orfanato.
Dizer: "Fica".
Chorar na despedida.

(30.04.2007)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Olhos abertos

Um dia você acorda e percebe que as coisas não são mais as mesmas.
Os móveis do seu quarto, o carpete da sala, os quadros na parede, estes são os mesmos.
Mas você tem alma que não cabe mais no espaço. Alma que questiona e que busca.
Um dia você vê que os pensamentos não coincidem. Que o coração de seus companheiros abriga momentos diversos.
Você percebe que cada passo que deu, cada desilusão que sofreu, cada tombo que levou tirou uma trava dos seus olhos.
Que a cada dia você vê mais um centímetro, um pequeno centímetro da realidade se mostrando diante de você, ainda que embaçada. Ainda que incompleta.
Você deixa de lado as ilusões e a bolha protetora das suas fantasias.
E no final de tudo, o que sobra?
A vida. Pronta para ser vivida, sem medos ou sedativos.
A vida, construção.
Bela como um mar. Sólida como um grito.

(18.04.2007)

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Mudou

Mudou o blog. Mudaram as músicas.
Mudaram os sonhos. Mudaram as pessoas e os nomes delas.
Mudou o brilho no olhar. Mudou a luz do sol.
Mudou o ar pra respirar. Mudaram os planos.
Mudou o nome disso. Mudou o rumo, o pôr-do-sol.
Mudaram a montanha e o ar da praia. O asfalto mudou de lugar.
Mudou o olhar. Mudou o coração.
E levou tudo junto, mudando com ele.

(09.04.2007)

sexta-feira, 30 de março de 2007

Conto de viagem

Ela o encontrou na curva do caminho. Ele, perdido entre curvas, bailando sozinho na dança do tempo. Ela trazia feridas de outros tempos que ainda doíam, embora escondidas. Ele se ria, sonhava e levava consigo temores e segredos. A alegria de saber-se forte o conduzia. O sorriso o resguardava.

Ela teve medo. Depois, estranha sensação de encontro em mundo distante. Pequena bolha de amor que a protegia, riscava sua alma a fresco. Ela se sentiu bailando no vento do tempo que não era seu.

Quando sua alma, feita corpo, reclamou atenção, ele lhe curou as feridas, desbravou a muralha de seus modos, lhe cuidou como pai. No lugar que já lhe era casa, ela se viu presa na velha rede.
Não quis dar nome ao que já sabia nascido. Experimentou o pesar, a dor e a surpresa de se descobrir cativa em tão insuspeito laço.

Na curva seguinte, despediram-se. Um abraço de alma sela o encontro. Ele chora. Ela, em silêncio, sabe que seu peito pesará por doce tempo.
Coração é desses que, tendo querências, às vezes as aparta para que continuem vivas. Às vezes, as faz nascer apenas para que se prove, generosa, a grandeza da vida.

(30.03.2007)

quarta-feira, 28 de março de 2007

Como bumbum de bebê

É assim. Um dia você está lá, despreocupadamente andando entre suas encanações nem sempre producentes e seus pensamentos muitas vezes inúteis. E surge, virando a esquina como um ladrão em fuga, um pedaço das coisas que já eram, que ficaram pra trás. Surge fazendo cócegas nas suas idéias fixas, mostrando que ainda resta aí algum gás pra confundir o ambiente, que tudo isso ainda pode provocar algum sorriso, ainda que torto, no rosto da audiência.

Aquela piada que você já achava sem graça, que dava traço no ibope. Aquela poeira que você varreu pra baixo do tapete há tanto tempo que nem se lembrava mais. Ela voa de novo no seu olho, fazendo você esfregar o rosto e fitar surpresa o espelho, procurando o que causou tamanha confusão. E você resolve pagar pra ver, virar (de novo, ai) o rosto e conferir, afinal, o que tanto ela quer te dizer. Pronto. Lá está você de novo, girando em círculos, ainda que por instantes.

E você sabe que não vai dar em nada, provavelmente 99,97% de chance de que tudo continue na mesma e de que, dentro de alguns dias, a poeira volte pra debaixo da cama e você siga a vida como sempre, de volta às suas novas e evoluídas preocupações. Mesmo assim, você faz um exercício de imaginação e tenta, ainda uma vez, rir da mesma piada. Torcendo, é claro, pra que haja platéia para a manifestação de seu dom palhaço.

Tudo bem. Se não houver palmas, pelo menos você deu uns sorrisos a mais na terra dos devaneios. Porque como todos sabem hoje em dia, sorrir evita as rugas.
E sonhar, isso eu já sabia desde os meus 15 anos... não custa mesmo quase nada. ;)

(28.03.2007)

quarta-feira, 21 de março de 2007

Não se reprima

Foi hoje, na hora do almoço. Alguém puxou um papo do tipo "como estamos velhos" e todo mundo desandou a dar suas contribuições. "Ah, eu ouvi só vinil até os 16 anos". "Ah, eu passei a infância e adolescência todas sem saber o que era um celular. Internet, só na faculdade". "Ah, eu tinha um disco compacto da novela Estúpido Cupido".

É claro que não demorou para nos lembrarmos do clássico dos clássicos da infância 80. Sim, eles, que fizeram milhares de pessoas se estapearem em frente ao Macksoud Plaza em algumas tardes oitentistas, em sua vinda ao Brasil. Eles, que provocaram engarrafamentos em estradas no eixo sul-sudeste do país. Eles, que foram responsáveis pelos maiores micos infantis da geração de garotas hoje na faixa dos 25-30.

Mas a gente não lembrou deles assim de cara, não. Antes passamos por referências mais atuais (e copiadas dos pais do movimento, claro), tipo New Kids on the Block e Backstreet Boys. E nem foi no momento-confessional "eu fui uma seguidora de Boys Band" que nos lembramos deles. Foi, sim, na hora dos compactos de vinil, quando eu ganhei o prêmio de bizarrice sonora do ano com a seguinte declaração:

"Eu tinha um compacto de vinil flexível, de plástico, transparente, que ganhei numa promoção da Tang. Vinha com apenas uma música e antes de começar, tinha a declaração de um deles (acho que o Ray) num portunhol incrível: 'Oy, eu sou o Ray, e estoy mucho contente de cantar para nostros maravilhosos fans do Brazil'."
A canção em si não era das mais famosas, nem das que lembramos primeiro hoje em dia, quando falamos desses áureos tempos. Mas eu me lembro muito bem, era uma cujo clip eu tinha visto acho que no Fantástico. Nossos heróis porto-riquenhos apareciam numa espécie de navio pirata, vestidos de corsários espanhóis, e o filminho tinha direito a mocinha amarrada no mastro, tiros esfumaçados de canhão e uns bandidos fake em terríveis cenas de luta. Tudo para que Robbie, é claro, pudesse salvar o dia e cantar o refrão em inglês, no final do clip, no ouvidinho da mocinha. Uau.

Entre lembranças do show assistido pela tevê (meu pai, desde aquela época, tinha aversão a multidões e se negou terminantemente a me levar) e álbuns de figurinhas perfumadas, com as fotos dos moços em letrinhas douradas, deixo aqui uma saudação a todos que testemunharam a passagem desse verdadeiro marco histórico trash-pop pelo país. Porque todo mundo tem seu lado negro da força pra confessar. E nem só de RBD vive o homem. :)

PS - Empolgada em colocar aqui o link para a obra-prima cinematográfica que citei neste post, localizei no YouTube um clip bem diferente daquele que minha memória guardava: realmente há o navio, e as piratas, mas os moços em questão estão vestidos com as roupas deles mesmos (todas iguais, no melhor estilo Power Rangers), e apenas caminham por um forte à beira-mar enquanto as "moças-piratas" os seguem com o olhar. Nada de lutas ou tiros de canhão... prova de que nem sempre se pode confiar na memória de uma criança de 8 anos, ou de que, aos 8 anos, a gente tem mesmo o poder (bendito) de sair do chão muito mais fácil. :)

(21.03.2007)

terça-feira, 13 de março de 2007

Palavras

Penso que palavras são pequenas fadas, travestidas de sons. Perigoso mexer com elas. Ao menor sinal de indecisão, se rebelam e saem na carreira, arrastando incautos sentimentos. Larápias, bolem com pensamentos e vontades. Fazem cócegas nos desejos, confessos ou não.

Bravas, as bichinhas. Belas filhas, formosas meninas. Mas, gatas caprichosas, decidem sozinhas o momento de fuga. Perfazem vôos lépidos sobre nossas cabeças, com sorriso maroto de fadas, diante da estupefação geral. Não precisam de sentido: invadem mentes e olhos. À guiza de encantamento, criam redemoinhos no ar. 

Mas voltam à casa, ao ouvir nosso choro, para fazer-se de abrigo. Com a graça de crianças novas, nos pegam pela mão e nos lembram de que nós mesmos, anjos caídos, construímos casinhas no ar. Moradas de fadas.

Caso seja imperativo tirar-lhes a amplidão, é mister fazer bom acordo. Ou vibrarão suas asas, perenemente, na mente do algoz iludido. Persistindo as amarras, chegarão ao coração - medida extrema, geralmente incurável.

Eis o preço a ser pago pelos adestradores de fadas: palavras esvoaçando na garganta, embotada em pó de pirlimpimpim. 

(13.03.2007)

quarta-feira, 7 de março de 2007

Manual de não-etiqueta em relacionamentos

Eu acho assim:

Que todo mundo tem direito de se apaixonar sem ficar se perguntando se tá certo ou se tá errado.

Que todo mundo pode se perguntar se fez a escolha certa alguma vez na vida, quando achar que precisa. E mudar o rumo do jeito que der, na hora que der. Sendo sincero consigo e com os outros. E sem ser crucificado ou execrado por isso.

Que as escolhas certas num momento podem não ser escolhas certas pra sempre. E nem por isso o tempo em que foram válidas merece ser desconsiderado.

Que ninguém devia ter vergonha de andar de mão dada com seu amor na rua.

Que o amor, salvo em casos de exagero ou doença, não pode fazer mal. O preconceito, a falsidade, a hipocrisia sim.

Que ser "normal", por outro lado, também não é passível de crucificação. É bacana ser louco e ser donzela, barbarizar e sonhar com o príncipe. É bacana ser a gente. E respeitar quem está em volta.

Que ninguém deveria falar essas coisas por pose e mostrar lados podres virando a primeira esquina.

Que dá pra defender os outros sem, necessariamente, ter sentido o que eles sentem na pele. Dá pra defender a compreensão.

Que dói se decepcionar e que a gente tem o direito de ficar puta se decepcionam a gente. Que ninguém é Super-Mulher o tempo todo.

Que mesmo com 30 anos a gente ainda pode dormir abraçada com o travesseiro num momento de carência ou saudade.

Que patrulha mesmo é aquela de quem não paga as nossas contas, não libera a micharia das idéias e acha que você tem que ser tão recalcada quanto eles. De quem acha, maniqueístamente, que amor é não conseguir ser você sem estar do lado de alguém.

Que tudo isso que acabei de escrever pode ser um bando de lugares comuns. Mas não tô nem aí se sou repetitiva. Tem coisas que a gente só aprende mesmo na base da exaustão.

Eu quero crer no amor numa boa
E que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão...
(Lulu Santos)

PS - Este é um post totalmente adaptável. Onde se lê "amor", pode-se ler "trabalho", "ideais", etc., ao gosto do freguês.

(07.03.2007)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Seleção Loser para o Carnaval

Você está cansado de ouvir as mesmas marchinhas mofadas de Carnaval, ano após ano? Não aguenta mais escutar aqueles sambas-enredo que parecem todos iguais? Já está confundindo a voz dos comentaristas da Globo com a narração do Galvão Bueno na última Copa?

Seus problemas acabaram!!

Acesse os links abaixo e ouça com exclusividade pública a seleção musical que vai salvar o seu Carnaval. Clássicos da nossa MPB reunidos, ao lado de canções não tão conhecidas, mas que devem por obrigação figurar em qualquer lista decente de músicas pra animar a galera. Terminando, é claro, com o hino de todos os carnavais loser.

E não adianta disfarçar... a gente sabe que você já se empolgou e dançou loucamente, ou chorou freneticamente de emoção, com pelo menos umas cinco dessas.

Confira... e que o Feno esteja com você na folia!!!

GUIA INESQUECÍVEL DO CARNAVAL LOSER


Garoto de aluguel - Zé Ramalho

Amante profissional - Baton na Cueca





Morango do Nordeste - Frank Aguiar

Transas e caretas - Trio Los Angeles




Eu não sou cachorro não - Waldick Soriano

Emoções - Roberrrto & Eráishmo

Unidos do caralho a quatro - Hermes e Renato

(15.02.2007)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Tá contigo, Riobaldo


Já posso ouvir o som dos tamborins e pandeiros. Bundas se proliferam na televisão. E ele, esse evento tão esperado, dá de novo o ar da graça na terra brasilis. Vocês sabem de que eu estou falando.

Pois bem. Esse será um Carnaval atípico para mim. Pelo menos nos últimos 3 ou 4 anos, gloriosamente, eu havia conseguido fugir, de um jeito ou de outro, do Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial pela TV - manobra que constitui espécie de ritual de alforria, um tipo de vingança aos anos de nerdismo em que eu não tinha nada de útil ou interessante para fazer no referido feriado, enquanto o resto do país (incluindo meus amigos adolescentes) se afogava em cerveja e outros quetais, além de beijos e amassos desconhecidos e desenfreados, é claro, nesses salões e avenidas da vida.


Sim, como boa adolescente revoltada com a vida Beverly Hills de meus colegas de escola, eu ficava em casa amaldiçoando os dias de folia e engolindo pedaços da narração futebolística das escolas de samba feita pela TV Globo, madrugadas adentro, enquanto rezava pra tudo aquilo acabar. Eu bem que tentei me integrar ao sistema naquela época, ir a alguns bailes e desfiles. Até me diverti algumas vezes, posso dizer. Mas, para alguém com inclinações sentimentais, o Carnaval pode ser festa cruel. Naqueles dias de folia, nem pensar em encontrar alguém por quem o coração batesse mais forte, por exemplo - todo e qualquer olhar estava fadado a evoluir pra uns amassos atrás do pilar do clube da cidade, ao som de pagodes e em meio ao cheiro de lança-perfume, até ser compulsoriamente esquecido, ou trocado por outro, bem antes da quarta-feira de cinzas. A adolescente que fui, com seus pendores Álvares-azevedianos, não via graça alguma naquela dança das línguas a que meus amigos se dedicavam com furor.


Mas o tempo passou, é claro - o que, vejam só, pode trazer uma série de vantagens. No caso do feriado momesco, por exemplo, a autonomia conquistada pela adultez trouxe também a liberdade de escolha do quê fazer, para onde ir e, principalmente, com quem ir e que tipo de música ouvir durante os fatídicos dias. Não que eu seja uma furiosa contra a cultura popular (o que, além de inverdade, seria, no meu caso, perfeito suicídio profissional), mas sou, antes de tudo, uma amante do livre-arbítrio. Acho maravilhosas as festas populares - as *verdadeiramente* populares, é bom que se diga, e não essa enganação de abadás e trios elétricos que segregam o povão por cínicas cordas, nas mesmas ruas que essas pessoas ajudaram a construir e que são suas para o trabalho e para a vida no resto dos dias do ano. Acho lindas as músicas, a movimentação, o ânimo popular de quem dá vida e história a essa festa tão nossa. Aprendi a apreciar o verdadeiro significado cultural do evento, que em cada canto do país se mostra de um jeito, reflete nossa história e alegria, e que pode ser tão distante das músicas e imagens pasteurizadas que vemos sempre pela TV. Mas, acima de tudo, descobri também a liberdade de escolha pessoal de se retirar, ir para algum lugar no meio do mar, da areia, do campo ou de pessoas queridas, e voltar pra casa na quarta-feira com as baterias recarregadas, cheia de paz na alma e ânimo pra fazer boas coisas no dia-a-dia. E sem a obrigação adolescente (que alguns levam pela vida afora, ó miséria) da pegação obrigatória e declarada, tal qual linha de montagem.


Enfim, tudo isso para dizer que meus últimos carnavais, com ou sem beijo na boca, têm sido muito não-convencionais e absolutamente felizes. Para esse aqui, claro, também tinha planos. Planos de fugir do mundo pra um lugar que me trouxesse imensidão da alma, que me fizesse pensar e sentir boas coisas para mim e para outros queridos. Porém, esses tempos de caos nos aeroportos e curta grana (por bons motivos, felizmente, mas ainda assim curta) me forçam novamente, depois de anos, a uma estadia momentânea no lar, doce lar. Por um momento, senti a angústia adolescente se avizinhando. Traumas? Sim. O que fazer para não transformar o feriado novamente num repeteco azedo do Show da Virada do Faustão?


Algumas hipóteses surgiram no horizonte. Amigos queridos, em momento financeiro-social semelhante, sugeriram um roteiro alternativo-cultural pela selva de pedra. Grande idéia, sem dúvida. Afinal, como típicos paulistanos, carregamos muitas vezes a frustração por conhecer tão pouco dos lugares da terra onde vivemos, em contraposição aos encantos de outras cidades por vezes mais longínquas. Por que não aproveitar a metrópole vazia para mergulhar um pouco mais em sua alma, conhecer aquilo que ela traz de mais típico e belo? Sim, boa pedida. Outras idéias também vieram. Para os dias da semana subsequentes à folia - que, ó Lei de Murphy, justamente nesse ano, terei livres - um pulo à casa de mamãe e papai para bater o ponto e para descansar, sentindo o cheiro bom de lar. O que mais? Escrever, pensar na vida, tentar quitar pendências de estudos atrasados, etc, etc...

No meio do trivial e do variado, porém, outro pensamento me acorre. Esse, carregado de lembrança afetiva e da expectativa, agora sempre perene, de novas paragens. E eis que, no domingo que antecede o feriadão sambista, entro na internet com parada certa. Acesso uma livraria online e faço a encomenda que pisca em minha mente, por motivos diversos, há alguns dias: Grande Sertão, Veredas. Não, eu nunca li Grande Sertão, Veredas, apesar de ter me encantado com a história de Miguilim (também na adolescência) e de já ter até mesmo andado, sacolejantemente, por alguns dos caminhos percorridos por Guimarães naquele mundão mineiro de meu Deus. Pois muito bem, está na hora do coração descobrir o que os olhos já viram com a poesia dos raios de sol e de borboletas amarelas. Já que não viajo fisicamente, vou proporcionar essa viagem à minha alma: dedicarei meus feriados a descobrir o Grande Sertão. Nos próximos dias, ele deve estar chegando para me fazer companhia. E, quem sabe, me inspirar em novas empreitadas - cheias de poesia, brilho nos olhos e expectativas várias.

Depois conto aqui o que achei e que presságios essa bela viagem, já prevejo, me ajudará a realizar. Por hora, deixo um pensamento do livro citado, que espero encontrar durante a leitura:

"O importante e bonito, no mundo, é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou."

E, terminando de expulsar os fantasmas da nerdice adolescente, lembro ainda uma frase muito reverenciada pela galera que entende do assunto (se alguém souber o autor, por favor me diga, já que infelizmente não lembro agora): Rock'n Roll saves lives. E um bom livro também. ;)

(12.02.2007)