terça-feira, 12 de abril de 2011

Vitral



Dessa igreja
de bancos escuros
e paredes brancas
desconheço
tantos dados
e datas
e histórias
e ações
que estudiosos
e devotos
e senhoras
e pastores
compartilham.

Nessa igreja
de paredes brancas
e luz solar
onde não entro,
onde habito
em velho olhar
e só vou
para buscar
velhas lembranças,

Nesta igreja
poucos olhos
me reconhecem;

Mas entre as cores
vítreas de luz
estão guardados
certos abraços
vozes antigas
passos mundanos
e visões de mim
que minha alma
trancafia
como essência
em minhas veias.

(12.04.2011)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

De mim

Há lugares nos quais só estive uma vez.
Nunca ali morei, nunca os frequentei.
Mas deles guardo até hoje
uma saudade doída,
cálida,
como se de mim fizessem parte.
Vai ver, por isso:
semidesconhecidos,
são costurados
com pedaços de sonho.
E ao lembrá-los,
de mim mesma
é que me pego sentindo saudades.

(11.01.2011)

Ingenuidade

A boniteza das coisas
não se vence fácil.

(11.01.2011)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Graças


"Acho que tudo que fiz é válido, senão não teria feito." (Neil Young)

Obrigada, Mãe Yemanjá, pela capacidade de banhar em amor.
Obrigada, Mãe Athena, pela bravura e sabedoria do sempre resistir em essência.
Pai Oxaguiã, fortaleça o equilíbrio da guerreira que mora em mim.
Obrigada, Pai Ogum, por abrir os caminhos.
Obrigada, Saturno, por me dar pernas e joelhos fortes para trilhá-los.
Obrigada Beiji, pela capacidade de sorrir com as coisas simples quando nada mais parece restar.
Obrigada meu Anjo da Guarda, por me guiar pelas bênçãos que eu mesma possa não pressentir.

Mãe Oxum, com sua alma doce, limpe minha alma neste novo ano.
Mercúrio, meu Esposo, me leve em vôo alto e belo em suas asas.

Obrigada a todas as mulheres da minha vida, mães, familiares e ancestrais, cuja força e comunhão senti de forma tão especial nesta noite de virada de ciclo, me fazendo crer novamente no quanto estamos todas vivas, unidas, fortes e prontas.
Que a Senhora que brilha no céu nos continue a ensinar a arte de renascer sempre a cada giro da vida.

A todos e todas, meu infinito e eterno Amor.

Graças dou por esta vida, pelo bem que revelou,
Graças dou pelo futuro, e por tudo que passou.
Pelas bênçãos derramadas, pela dor, pela aflição,
Pelas graças reveladas, graças dou pelo Perdão.

Graças pelo azul celeste e por nuvens que há também,
Pelas rosas no caminho e os espinhos que elas têm,
Pela escuridão da noite, pela estrela que brilhou,
Pela prece respondida e a esperança que falhou.

Pela cruz e o sofrimento e pela Ressureição,
Pelo amor que é sem medida, pela paz no coração.
Pela lágrima vertida e o consolo que é sem par,
Pelo dom da eterna vida, sempre Graças hei de dar.

(Hinário Luterano - comp. August Ludvig Storm)

(01.01.2011)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Parole

Como Quintana
Hoje eu mesma fiz o chá para os fantasmas.
E descobri
Que alguns deles até contam boas piadas.

(02.12.2010)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PS

Parece. Mas desconfio que não é apenas tédio, impaciência, confusão mental, medo de me ferrar again and again ou preguiça do sempre-o-mesmo-das-relações-humanas. Sei é que há uma mudança profunda em curso. Não sei ainda o ponto de chegada - claro - mas percebo que é contundente e para ficar. Para sair. Ou, talvez, para me levar de volta para casa.

O fato é que há algo grande prestes a acontecer. A marcha do tempo continua, mostrando que a noite é escura, profunda e indelével - e não menos cheia de possibilidades. Hipóteses que só se ocultam aos olhos que não querem ver, ou que enxergam tarde demais, ou cujo compasso se descompassa com o dos olhos do resto do mundo.

Não há como ser diferente. Para fugir do desenquadro, vontade de mergulhar no fundo de si, de fugir de tudo, de recomeçar do ponto onde se parou. Ou onde se deixou de começar. Há tanto tempo. Será?

E no meio do furacão das idéias e do silêncio pesado da noite, e das letras vãs na tela do computador, e das horas que se arrastam ao longo da semana sem respostas precisas - não importa o barulho ambiente - apenas duas palavras.

Quiçá, três. Acusando algo de resistência. Capaz de trazer alguma paz. Alguma certeza no meio do tudo de incerto.

Palavras engasgadas na garganta e no coração por anos. Tantos que quase se desgastam, se desvirtuam, entregues à ignorância do olhar. Mas teimosas, conquistam à força seu direito de existir, se mostrando enfim apesar das instâncias em contrário. Vencendo a rede intrincada das idéias desviantes. Do medo do Fim da História. Ou do começo de tudo que realmente possa valer a pena.

Palavras que ainda esperam para ser ditas. E que me perguntam, sedentas de futuro e de luz do Sol, se ainda haverá tempo.

Haverá tempo?

(14.11.2010)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tudo ou nada

A vida
se define
nos detalhes.

(12.08.2010)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Fortuito

As horas
de ser mais feliz
acontecem de repente
e sem maquiagem.

(29.06.2010)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

14-32

E depois de tanto e tanto
até o RG comprova:
agora, sou outra.

(03.06.2010)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

No céu

Na esquina da Faria Lima
Com a Cidade Jardim
entre passos ligeiros
cabeças baixas
celulares ligados
e buzinas de carros
ninguém nota o imenso arco-íris
que faz face
às nuvens douradas
acima dos prédios.

(10.05.2010)